Tão perto e tão distante
Já estive tão perto, agora sinto-me tão distante;
já andei sobre as águas contigo, mas agora me sinto no fundo do oceano;
e lá bem no fundo, como se as águas espremesses meus ossos e órgãos eu grito alto: “não me deixe; nunca me deixe”.
Mesmo sabendo que foi eu quem o deixou, que se afastou.
Tão longe e tão perto;
eu apenas tenho que esticar as mãos;
tão alto, já não tão baixos os ruídos insistem em nessa distração.
O caminho que ando é de longa data conhecido, sim, reconheço cada centímetro;
assim como o cansaço de meus pés por rodar em círculos.
Uma nova saída busco enquanto em meio a esse deserto, eu me afundo mais e mais;
este lugar que devia ser apenas caminho de passagem, de encontrar a paz;
caminho e caminho com pés descalços e cansados, sem olhar pra trás;
quando para trás pareço apenas caminhar.
Não me deixe só;
não me deixe ir por esse caminho só;
nunca me deixe;
sei que estou sendo todo sentir e que nas distrações das sensações pareço existir;
que do cento, meu eixo está a um fio de sair;
quero que saiba: “estou dando o meu melhor. Estou cansada, mas tentando, essa sou eu tentando.”
De vez em quando ouço a Sua voz;
sinto seu toque e em Sua mão eu pego;
e então acordo e para essa roda, volto ao início a rodar;
roda e roda de novo como um pião sem sair do lugar.
Já estive tão perto;
qual a ação me deixou tão longe?
Apenas quero voltar para casa, por favor, venha me resgatar, pegue na minha mão;
pois eu Te conheço e sei que és o único que pode me tirar desse mar imenso no deserto sufocante da solidão.
Nathalia Favareto
