Não há momento como o agora; no agora não há o que se preocupar com o futuro ou chorar e sorrir pelo passado. A cada novo nascer do sol um novo dia uma nova vida; pelo que está correndo atrás? Para onde correr ou correr de onde? Ao correr saiba, os piores monstros correrão com você, afinal cada um cria os seus próprios e se não parar e enfrenta-los passará a vida a correr e correr; investirá sua juventude nessa corrida; chorará pela juventude perdida pela tal corrida; correr tanto… para onde tanto correr? A mudança está na pausa, na observação que só no silêncio ocorre. Corri tanto e tanto para em certa idade entender; que não há para onde nessa vida correr ou chegar; há apenas as sombras dos monstros criados a encarar. O que é da terra na terra para sempre ficará; o que é da alma com ela permanecerá; a cada agora é uma escolha de correr para a terra conquistar; ou pausar para observar e escutar o que o silêncio tem a revelar; observar a mim mesma e conquistar a liberdade da minha alma com ajuda da terra aqui e agora e todo dia enquanto aqui estar; esse é o único objetivo nessa vida alcançar; na única certeza que o corpo passa, mas a verdade que a alma integra para a eternidade ela levará. Correr para onde? Quando o aqui e agora é onde sempre deve estar, é o infinito e eterno; o que sempre deve-se aproveitar.
um dia aquele sonho guardado na gaveta encontre uma forma de sair;
um dia o trabalho que desejo chega sem licença pedir.
Um dia quem sabe eu…
um dia a mais;
apenas, talvez mais um dia.
Um dia eu mudo, paro de contar esses absurdos;
um dia tudo se ajeita, mesmo não sabendo qual é o jeito;
um dia a vida acontece e a felicidade brota;
talvez um dia tudo isso faça sentido;
um dia quem sabe…
Um dia, talvez eu até case, mude de país ou esconda-me em meio a mata isolada;
um dia, quem sabe, talvez, um dia é tudo que preciso aguentar;
só mais um dia.
Ah, talvez um dia receba a recompensa por tudo que passei;
um dia, sim, um dia talvez tudo o que preciso é de um dia a mais para tudo se organizar.
Ah talvez se esse dia for hoje?
Hoje eu me torno quem eu sou;
hoje pisco e vejo que tudo mudou;
hoje vivo os meus sonhos;
visualizo, sustento, crio esse encontro, a vida do “um dia” no hoje e ponto.
Hoje, o dia que a escolha passa a ser minha e tudo muda;
hoje assumo a responsabilidade sobre a vida a mim doada;
hoje se torna ação da responsabilidade da história contada e recontada do “talvez” e aqui ela se encerra e fica acabada;
hoje eu realizo e vivo o que no “um dia” deixava para o acontecer e cantarolava.
Hoje eu vivo o agora, aproveito a jornada;
e o amanhã se torna agora e o agora o amanhã e então o agora no hoje vira a eternidade da realização da vida na vida de tudo o que havia sido um “talvez um dia”;
e o “um dia” passa a ser hoje e agora.
Hoje e agora eu realizo, crio, vivo, sustento e sigo sem espera, sem talvez;
apenas sou o que sempre acreditei que a vida para mim deve ser;
pois se eu posso imaginar, eu posso criar;
se eu posso criar eu posso viver;
se eu posso viver, vivo a sonhos realizar.
E hoje eu crio agora e risco da história da minha vida antes contada o “talvez um dia”;
Pois o “um dia”, vira o hoje e o hoje vira o aqui e agora para sempre trilhar na linha da história da vida;
Pois a vida é uma história que contas a ti mesmo todo dia;
Qual história tens contado para ti?
A minha era o “um dia” que vira o hoje, o agora, a eternidade de infinitas possibilidades.
Albert Einstein uma vez disse: “Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”
A energia precisa ser mudada, modificada, movimentada;
grite, de vez em quando;
chore, de vez em quando;
sem esquecer de sorrir de vez em quando, se puder sempre.
A vida foi feita para ser sentida de todas as formas, desde as maiores dores até as maiores alegrias;
se olhar bem no fundo, as duas são as mesmas coisas, o que muda é a forma como elas são acolhidas;
uma com uma conotação de boa, uma ligação;
outra com conotação de ruim, uma aversão;
e nesse jogo de puxa e empurra;
a tendência é puxar o que é conotado como certo, a sanidade, e empurrar o que é visto como errado, a insanidade;
quando a realidade são as duas coexistindo em equilíbrio e igualdade.
Loucura mesmo é seguir na mesma direção todos os dias sem nem ao menos observar e questionar;
fazer e refazer os mesmos sentimentos, ter as mesmas ações e esperar que a mudança venha do nada, de um milagre, quando até mesmo o milagre é preciso de uma ação de permissão;
quando uma não ação é uma ação.
Tudo na vida é energia e energia é movimento, onde movimento é ação;
e quando tudo é movimento, a mudança mora em algum lugar entre ações repetidas e uma ação consciente aqui e agora, hoje e amanhã, em apenas um minuto, um segundo ou um milésimo.
Em Eclesiastes capítulo 10 versículo 3 diz: “E, até quando o tolo vai pelo caminho, lhe falta entendimento, e diz a todos que é tolo.”
As próprias ações de cada um mostram sua insanidade, e talvez, o querer se encaixar para pertencer seja a maior das loucuras de todas as loucuras dessa irreal realidade;
pois nela não há sinceridade e nem verdade;
há apenas o esconder e mascarar por medo de em nenhum lugar se encaixar.
Ultimamente tento a mim mesma de louca não chamar;
quando na verdade, em meio a loucura de distrações diárias me deixo levar;
por momentos de não ação continuo muitas vezes a caminhar;
repetindo os mesmos passos e em oração um milagre a esperar;
quando é preciso não somente o observar – orar – mas também a ação – mudança – para o milagre alcançar.
Ultimamente ando sem clareza para a tal ação executar;
e foi aí que descobri que o entregar, confiar e viver o que foi-me apresentado, também é uma forma de agir para mudar;
a completa entrega;
a confiança de que algo maior está a orquestrar aquilo que eu não consigo, ainda ter ação para mudar;
Eu queria ser perfeita e escondi de mim mesma tudo o que me fazia única;
Eu apenas queria ser amada, então amei a todos, menos a mim mesma, aceitei a todos menos a mim mesma;
me tornei uma visão distorcida do que eu creditava que todos queriam, mas não me tornei eu mesma.
Eu só queria um relacionamento, mas não sabia que para tê-lo precisava primeiro ter a mim mesma por inteira e aceitar tudo o que acreditava ser defeito, me vulnerabilizar e viver sem medo.
Sem medo da rejeição;
sem medo de ser a imperfeição;
sem medo de sentir, de doer e de, talvez, também ferir.
Eu apenas queria não estar só, mas a solidão se tornou a minha companhia;
tudo isso apenas porque eu tinha medo de ser ferida;
porque na inconsciência de minhas memórias de tantas realidades vividas, acreditei que amar doeria;
quando, na verdade, o amor cura, liberta e desperta o maior poder, a felicidade plena de apenas Ser.