Desabafo de cura
Eu queria ser aceita, mas me fiz intocável;
Eu queria ser perfeita e escondi de mim mesma tudo o que me fazia única;
Eu apenas queria ser amada, então amei a todos, menos a mim mesma, aceitei a todos menos a mim mesma;
me tornei uma visão distorcida do que eu creditava que todos queriam, mas não me tornei eu mesma.
Eu só queria um relacionamento, mas não sabia que para tê-lo precisava primeiro ter a mim mesma por inteira e aceitar tudo o que acreditava ser defeito, me vulnerabilizar e viver sem medo.
Sem medo da rejeição;
sem medo de ser a imperfeição;
sem medo de sentir, de doer e de, talvez, também ferir.
Eu apenas queria não estar só, mas a solidão se tornou a minha companhia;
tudo isso apenas porque eu tinha medo de ser ferida;
porque na inconsciência de minhas memórias de tantas realidades vividas, acreditei que amar doeria;
quando, na verdade, o amor cura, liberta e desperta o maior poder, a felicidade plena de apenas Ser.
Ser quem se é.
Nathalia Favareto
