Talvez um dia

Um dia eu acordo e percebo quem eu sou;

um dia eu pisco e pronto tudo mudou;

um dia aquele sonho guardado na gaveta encontre uma forma de sair;

um dia o trabalho que desejo chega sem licença pedir.

Um dia quem sabe eu…

um dia a mais;

apenas, talvez mais um dia.

Um dia eu mudo, paro de contar esses absurdos;

um dia tudo se ajeita, mesmo não sabendo qual é o jeito;

um dia a vida acontece e a felicidade brota;

talvez um dia tudo isso faça sentido;

um dia quem sabe…

Um dia, talvez eu até case, mude de país ou esconda-me em meio a mata isolada;

um dia, quem sabe, talvez, um dia é tudo que preciso aguentar;

só mais um dia.

Ah, talvez um dia receba a recompensa por tudo que passei;

um dia, sim, um dia talvez tudo o que preciso é de um dia a mais para tudo se organizar.

Ah talvez se esse dia for hoje?

Hoje eu me torno quem eu sou;

hoje pisco e vejo que tudo mudou;

hoje vivo os meus sonhos;

visualizo, sustento, crio esse encontro, a vida do “um dia” no hoje e ponto.

Hoje, o dia que a escolha passa a ser minha e tudo muda;

hoje assumo a responsabilidade sobre a vida a mim doada;

hoje se torna ação da responsabilidade da história contada e recontada do “talvez” e aqui ela se encerra e fica acabada;

hoje eu realizo e vivo o que no “um dia” deixava para o acontecer e cantarolava.

Hoje eu vivo o agora, aproveito a jornada;

e o amanhã se torna agora e o agora o amanhã e então o agora no hoje vira a eternidade da realização da vida na vida de tudo o que havia sido um “talvez um dia”;

e o “um dia” passa a ser hoje e agora.

Hoje e agora eu realizo, crio, vivo, sustento e sigo sem espera, sem talvez;

apenas sou o que sempre acreditei que a vida para mim deve ser;

pois se eu posso imaginar, eu posso criar;

se eu posso criar eu posso viver;

se eu posso viver, vivo a sonhos realizar.

E hoje eu crio agora e risco da história da minha vida antes contada o “talvez um dia”;

Pois o “um dia”, vira o hoje e o hoje vira o aqui e agora para sempre trilhar na linha da história da vida;

Pois a vida é uma história que contas a ti mesmo todo dia;

Qual história tens contado para ti?

A minha era o “um dia” que vira o hoje, o agora, a eternidade de infinitas possibilidades.

Nathalia Favareto