Tão perto e tão distante
Já estive tão perto, agora sinto-me tão distante;
já andei sobre as águas contigo, mas agora me sinto no fundo do oceano;
e lá bem no fundo, como se as águas espremesses meus ossos e órgãos eu grito alto: “não me deixe; nunca me deixe”.
Mesmo sabendo que foi eu quem o deixou, que se afastou.
Tão longe e tão perto;
eu apenas tenho que esticar as mãos;
tão alto, já não tão baixos os ruídos insistem em nessa distração.
O caminho que ando é de longa data conhecido, sim, reconheço cada centímetro;
assim como o cansaço de meus pés por rodar em círculos.
Uma nova saída busco enquanto em meio a esse deserto, eu me afundo mais e mais;
este lugar que devia ser apenas caminho de passagem, de encontrar a paz;
caminho e caminho com pés descalços e cansados, sem olhar pra trás;
quando para trás pareço apenas caminhar.
Não me deixe só;
não me deixe ir por esse caminho só;
nunca me deixe;
sei que estou sendo todo sentir e que nas distrações das sensações pareço existir;
que do cento, meu eixo está a um fio de sair;
quero que saiba: “estou dando o meu melhor. Estou cansada, mas tentando, essa sou eu tentando.”
De vez em quando ouço a Sua voz;
sinto seu toque e em Sua mão eu pego;
e então acordo e para essa roda, volto ao início a rodar;
roda e roda de novo como um pião sem sair do lugar.
Já estive tão perto;
qual a ação me deixou tão longe?
Apenas quero voltar para casa, por favor, venha me resgatar, pegue na minha mão;
pois eu Te conheço e sei que és o único que pode me tirar desse mar imenso no deserto sufocante da solidão.
Nathalia Favareto

Um profundo texto. A maneira sútil como você aborda as circunstâncias da vida, as reconhece, acolhe, aceita, e faz percebê-las na delicadeza dos detalhes do caminho, mesmo sendo conhecidos, acabamos imaginando estarmos perdidos ao andar em ciclos sem fim, mas nesse emaranhado complexo da vida, somente vamos dando conta que, quando soltamos o controle daquilo que imaginamos controlar, as coisas vão entrando no eixo, aonde o próprio fluxo nos levará ao nosso real lugar, assim, tudo que verdadeiro é, a tempestade não destrói, o vento não derruba, o fogo não consome, pois tudo suporta, tudo resiste,… e tudo começa num novo modo de ser a cada dia.