Desabafo de cura

Eu queria ser aceita, mas me fiz intocável;

Eu queria ser perfeita e escondi de mim mesma tudo o que me fazia única;

Eu apenas queria ser amada, então amei a todos, menos a mim mesma, aceitei a todos menos a mim mesma;

me tornei uma visão distorcida do que eu creditava que todos queriam, mas não me tornei eu mesma.

Eu só queria um relacionamento, mas não sabia que para tê-lo precisava primeiro ter a mim mesma por inteira e aceitar tudo o que acreditava ser defeito, me vulnerabilizar e viver sem medo.

Sem medo da rejeição;

sem medo de ser a imperfeição;

sem medo de sentir, de doer e de, talvez, também ferir.

Eu apenas queria não estar só, mas a solidão se tornou a minha companhia;

tudo isso apenas porque eu tinha medo de ser ferida;

porque na inconsciência de minhas memórias de tantas realidades vividas, acreditei que amar doeria;

quando, na verdade, o amor cura, liberta e desperta o maior poder, a felicidade plena de apenas Ser.

Ser quem se é.

Nathalia Favareto

Olhos no espelho

Olhos no espelho, encontrar a si mesmo, em um primeiro momento e sair correndo;

encontrar a si mesmo e fugir, isso acontece uma, duas, três, milhares de vezes;

pois algo sempre vai te puxar de volta;

cutucar, gritar, ansiar, sussurrar;

a voz de Deus dentro de mim, a qual eu tinha esquecido que em mim vivia.

Ninguém está aqui para dizer como deve ser;

ninguém está aqui para dizer o que deve ser;

está escrito no céu interno estrelado de cada um;

cada dia, cada noite, cada estrela, tudo possui uma história;

nem boa, nem ruim;

nem melhor, nem pior;

apenas aquilo que se é.

Olhos no espelho para reconhecer a si mesmo;

olhos no externo como um modelo interno desenhado na mais alta tecnologia 3D;

onde paz e caos se misturam;

onde dia e noite são partes do mesmo mundo, mesma criação;

onde Divino e humano compartilham experiências, até que o amor, a compaixão e o perdão sejam a única forma de viver.

Olhar nos olhos de si mesmo, sim, pode doer, mas também pode curar quando a leveza deixar guiar;

desapego não é não possuir nada, e sim, não permitir que nada te possui, te enrede, te tire a paz de alinhado consigo mesmo estar.

Quando os olhos nos próprios olhos te der vontade de correr para outro lugar,

corra para criança que um dia foi e dê a ela o colo, a compreensão, o amor que a si mesmo escolhe negar;

ouça-a, sem julgamentos, se quando adulto nos foge o discernimento, imagina a criança onde tudo é um grande mundo e ela muito pequena;

abrace-a e deixe-a descansar;

como adulto é hora de assumir o caminho que precisa trilhar;

não o de culpar outros, ou pior, julgar;

mas sim de saber que a mente humana é limitada;

que a justiça Divina jamais falha;

que és forte para assumir a batalha;

que é aquele que se responsabiliza e amadurece;

aquele que já não na dor mais de uma criança se esconde ou desculpas fornece;

mas sim, na coragem de um adulto, crescido que cocria o mundo a qual merece;

com perdão, compaixão e amor.

Encontrei comigo mesma e já não sai mais correndo, me abraço, me acolho, digo que me amo;

sem pressão;

sem perfeição;

sem pressa;

apenas no caminho do meio rumo ao caminho do amor pulsante em meu coração;

com compaixão, perdão junto ao Criador como uma de suas criações.  

Nathalia Favareto

O que realmente vale a pena?

São tantos caminhos, tantas possibilidades, tantas informações;

idas e vindas muitas vezes andando em círculos, voltando ao conhecido não desejado como um imã;

Atenção em tudo, desatenção no que é primordial.

O que realmente vale a pena?

Quais batalhas são realmente minhas para eu lutar?

E será que a luta é mesmo a solução?

Escolha suas batalhas, eles dizem;

mas eu digo escolha a sustentação do que é verdade, da sua realidade.

A sustentação é a disciplina para uma nova vida, ela quebra o ciclo e elimina o imã.

Disciplina vence talento;

Sustentação para uma vida melhor é a única batalha que vale a pena travar.

Sustente o olhar para si;

o silêncio total.

Quando todas as vozes calam por um bom tempo, a voz da verdade encontra o caminho para o qual tudo reluz;

tudo organiza;

a batalha é ganha sem esforço, sem luta, sem dor.

Apenas com a voz que os ruídos externos por tempos, calou e que o silêncio ressuscitou;

essa voz diz que vale a pena apenas quem leva a própria sombra para a luz caminhar.

Nathalia Favareto

O melhor lugar do mundo

O melhor lugar do mundo é onde a paz reina, a mente cala, o corpo relaxa;

o lugar onde tudo se encaixa, onde tudo é sentido sem ser extasiado ou sofrido, apenas sendo o que se é.

O melhor lugar do mundo é aquele em que a luz e a sombra dançam uma valsa fluida, onde há vida e a vida pode ser vivida;

o melhor lugar do mundo é onde o amor te chama, te abraça, te acolhe, mesmo que alguns espinhos possam te furar;

pois o melhor lugar do mundo é aquele que o amor reina quando ao se olhar no espelho não mais medo de si mesmo estar;

e sim saber que em si mesmo, em todas as suas partes, são as paredes da casa que constroem o seu lar e o torna o melhor lugar do mundo para se estar, permanecer e explorar.

Nathalia Favareto