Uma carta de Deus para você

Querido(a) filho(a) eu consigo ver tudo o que você tem alcançado, tudo o que tem aprendido, o que tem vivido.

Você tem tornado sonhos em realidade, tem vivenciado coisas que a sua criança e adolescente sonhou, quis, quer e ainda realizará coisas que o adulto deseja, e tudo isso em um mundo que achou durante muito tempo que não era para você, que não tinha um lugar para você.

Mas eu te digo que é, pois veja, você achou o seu lugar, ressuscitou, ressurgiu e agora tem uma vida que pode ser vista e vivida.

Obrigado, obrigado, obrigado.

Obrigado pela sua bela alma, por sua pureza, pela sua beleza, por sua inocência. Eu te amo, eu te amo, eu te amo.

Olhe para a sua vida meu filho e minha filha e saiba que tens conquistado tudo o que deseja;

olhe sabendo que é merecedora de conquistar tudo o que quer, mesmo as coisas que acredita ser impossível eu as estou dando a ti e fazendo-as possíveis agora.

Pegue-as, viva-as, seja feliz, pois tu és abençoado(a) por mim seu Criador, seu Deus.

Eu te amo e te agradeço pelo seu coração;

Eu te amo filho e filha, seja feliz nessa nova vida que lhe está sendo oferecida agora ao saber disso, ela é sua para fazer o melhor que puder, para dar e ser o seu melhor;

para realizar sonhos, para ter e ser amor, para se tornar tudo aquilo que seu coração sempre desejou.

Você está livre, siga o seu caminho. Eu te amo.

Assinado Seu Pai, Mãe, Seu criador, Seu Deus.

Pedaços de peças aqui e ali, não tornam quem se é

Diante do olhar para fora, me comparei com o que via;

diante do olhar ao externo, tentei criar uma vida que não era minha;

diante de olhar para os outros, peguei pedaços e pedaços de peças aqui e ali, forcei-as se encaixar e fingi que estavam todas em seus devidos lugares.

Olhei tanto para o externo que me perdi, sai de mim, vivi para ser outra, sem olhar no espelho que refletia a mim;

Fui morrendo aos poucos até chegar o momento em que realmente morri;

meus olhos se abriram, em uma visão diferente;

se abriram para olhar para dentro e, foi aí que reconheci meus próprios olhos a olharem para mim.

Nesse olhar para mim, descobri que nada sei de mim mesma, sem as máscaras que vestia para viver;

ao olhar para dentro, vi que nada sei de mim, que nada sei do que é realmente o querer e fazer; do desejo que reflete meu próprio querer;

ao olhar para o quebra-cabeça, finalmente vi e reconheci as peças que não se encaixavam;

então eu o desmontei, as retirei, joguei fora todas as peças que não se encaixavam e decidi começar desde o início novamente;

com os olhos, agora, voltados para dentro, para os meus próprios olhos;

agora eu começo a reconstruí-lo;

na minha verdade;

na verdade, de quem eu sou;

sabendo que posso ser qualquer coisa ou a mesma coisa;

mas sem pedaços de peças que não eram meus.

Nesse quebra cabeça da vida, agora eu monto em verdade a vida fora do querer do externo;

e dentro do querer do olhar interno que é somente meu.

Nathalia Favareto

Olhar nos olhos que refletem

O olhar para os olhos do mundo, encará-lo por alguns segundos, minutos, dias;

olhos nos olhos para descobrir a vida em tudo;

o viver no fundo de cada profundo sentimento espelhado, recriado, refletido;

criando vida palpável o que antes era intocável.

Quereres de antes agora já não fazem sentido;

novos queres também não agregam nesses novos dias;

uma voz que precisa ser ouvida, mas ainda é o tempo de estar em silêncio,

na certeza de que novos tempos estão a chegar e cessar o silêncio longínquo.

O olhar nos olhos do mundo revela um encontro com o inesperado,

um distanciamento com o que se pensava real, um olhar de cima que torna tudo irreal;

um silêncio que ecoa, sem voz;

um barulho que ecoa bagunçando a voz do silêncio.

Um mergulho nos olhos do mundo, sair do fluxo de tudo e enxergar os olhos que tudo vê, a mente que tudo cria, a voz que tudo resolve;

no ponto em que todo querer pode se tornar real, o único pedido é como pode tudo entregar e apenas ouvir a voz que toda visão muda, todo problema resolve e toda mente barulhenta se cala?

onde todo pensamento muda e muda a vida, o olhar, a realidade;

um lapso parece existir no lugar onde tudo se cria e o querer já não tem vez;

pois só uma ação se torna desejo nesse lugar;

a de nos olhos do mundo refletir a verdade sem deixar de novo pelo mundo se enredar.

Nathalia Favareto