Olhos no espelho, encontrar a si mesmo, em um primeiro momento e sair correndo;
encontrar a si mesmo e fugir, isso acontece uma, duas, três, milhares de vezes;
pois algo sempre vai te puxar de volta;
cutucar, gritar, ansiar, sussurrar;
a voz de Deus dentro de mim, a qual eu tinha esquecido que em mim vivia.
Ninguém está aqui para dizer como deve ser;
ninguém está aqui para dizer o que deve ser;
está escrito no céu interno estrelado de cada um;
cada dia, cada noite, cada estrela, tudo possui uma história;
nem boa, nem ruim;
nem melhor, nem pior;
apenas aquilo que se é.
Olhos no espelho para reconhecer a si mesmo;
olhos no externo como um modelo interno desenhado na mais alta tecnologia 3D;
onde paz e caos se misturam;
onde dia e noite são partes do mesmo mundo, mesma criação;
onde Divino e humano compartilham experiências, até que o amor, a compaixão e o perdão sejam a única forma de viver.
Olhar nos olhos de si mesmo, sim, pode doer, mas também pode curar quando a leveza deixar guiar;
desapego não é não possuir nada, e sim, não permitir que nada te possui, te enrede, te tire a paz de alinhado consigo mesmo estar.
Quando os olhos nos próprios olhos te der vontade de correr para outro lugar,
corra para criança que um dia foi e dê a ela o colo, a compreensão, o amor que a si mesmo escolhe negar;
ouça-a, sem julgamentos, se quando adulto nos foge o discernimento, imagina a criança onde tudo é um grande mundo e ela muito pequena;
abrace-a e deixe-a descansar;
como adulto é hora de assumir o caminho que precisa trilhar;
não o de culpar outros, ou pior, julgar;
mas sim de saber que a mente humana é limitada;
que a justiça Divina jamais falha;
que és forte para assumir a batalha;
que é aquele que se responsabiliza e amadurece;
aquele que já não na dor mais de uma criança se esconde ou desculpas fornece;
mas sim, na coragem de um adulto, crescido que cocria o mundo a qual merece;
com perdão, compaixão e amor.
Encontrei comigo mesma e já não sai mais correndo, me abraço, me acolho, digo que me amo;
sem pressão;
sem perfeição;
sem pressa;
apenas no caminho do meio rumo ao caminho do amor pulsante em meu coração;
com compaixão, perdão junto ao Criador como uma de suas criações.
Nathalia Favareto