Para onde correr?

Não há momento como o agora;
no agora não há o que se preocupar com o futuro ou chorar e sorrir pelo passado.
A cada novo nascer do sol um novo dia uma nova vida;
pelo que está correndo atrás?
Para onde correr ou correr de onde?
Ao correr saiba, os piores monstros correrão com você, afinal cada um cria os seus próprios e se não parar e enfrenta-los passará a vida a correr e correr;
investirá sua juventude nessa corrida;
chorará pela juventude perdida pela tal corrida;
correr tanto… para onde tanto correr?
A mudança está na pausa, na observação que só no silêncio ocorre.
Corri tanto e tanto para em certa idade entender;
que não há para onde nessa vida correr ou chegar;
há apenas as sombras dos monstros criados a encarar.
O que é da terra na terra para sempre ficará;
o que é da alma com ela permanecerá;
a cada agora é uma escolha de correr para a terra conquistar;
ou pausar para observar e escutar o que o silêncio tem a revelar;
observar a mim mesma e conquistar a liberdade da minha alma com ajuda da terra aqui e agora e todo dia enquanto aqui estar;
esse é o único objetivo nessa vida alcançar;
na única certeza que o corpo passa, mas a verdade que a alma integra para a eternidade ela levará.
Correr para onde?
Quando o aqui e agora é onde sempre deve estar, é o infinito e eterno;
o que sempre deve-se aproveitar.

Nathalia Favareto

Talvez um dia

Um dia eu acordo e percebo quem eu sou;

um dia eu pisco e pronto tudo mudou;

um dia aquele sonho guardado na gaveta encontre uma forma de sair;

um dia o trabalho que desejo chega sem licença pedir.

Um dia quem sabe eu…

um dia a mais;

apenas, talvez mais um dia.

Um dia eu mudo, paro de contar esses absurdos;

um dia tudo se ajeita, mesmo não sabendo qual é o jeito;

um dia a vida acontece e a felicidade brota;

talvez um dia tudo isso faça sentido;

um dia quem sabe…

Um dia, talvez eu até case, mude de país ou esconda-me em meio a mata isolada;

um dia, quem sabe, talvez, um dia é tudo que preciso aguentar;

só mais um dia.

Ah, talvez um dia receba a recompensa por tudo que passei;

um dia, sim, um dia talvez tudo o que preciso é de um dia a mais para tudo se organizar.

Ah talvez se esse dia for hoje?

Hoje eu me torno quem eu sou;

hoje pisco e vejo que tudo mudou;

hoje vivo os meus sonhos;

visualizo, sustento, crio esse encontro, a vida do “um dia” no hoje e ponto.

Hoje, o dia que a escolha passa a ser minha e tudo muda;

hoje assumo a responsabilidade sobre a vida a mim doada;

hoje se torna ação da responsabilidade da história contada e recontada do “talvez” e aqui ela se encerra e fica acabada;

hoje eu realizo e vivo o que no “um dia” deixava para o acontecer e cantarolava.

Hoje eu vivo o agora, aproveito a jornada;

e o amanhã se torna agora e o agora o amanhã e então o agora no hoje vira a eternidade da realização da vida na vida de tudo o que havia sido um “talvez um dia”;

e o “um dia” passa a ser hoje e agora.

Hoje e agora eu realizo, crio, vivo, sustento e sigo sem espera, sem talvez;

apenas sou o que sempre acreditei que a vida para mim deve ser;

pois se eu posso imaginar, eu posso criar;

se eu posso criar eu posso viver;

se eu posso viver, vivo a sonhos realizar.

E hoje eu crio agora e risco da história da minha vida antes contada o “talvez um dia”;

Pois o “um dia”, vira o hoje e o hoje vira o aqui e agora para sempre trilhar na linha da história da vida;

Pois a vida é uma história que contas a ti mesmo todo dia;

Qual história tens contado para ti?

A minha era o “um dia” que vira o hoje, o agora, a eternidade de infinitas possibilidades.

Nathalia Favareto

Ultimamente

Ultimamente tenho adquirido respostas de onde achava que não havia nada;

ultimamente, tenho encontrado conhecimento de onde antes eu só via distração e fuga;

ultimamente tenho descoberto que o aprendizado também pode estar na diversão, no abrir mão do isso ou aquilo e apenas observar, sentir, sem julgar.

Ultimamente é como se frequentemente o mundo me mandasse respostas que inconscientemente perguntei;

é a paz em saber que nada sei;

que o me conhecer vem de tudo ao meu redor.

Ultimamente tenho visto o belo em tudo e aprendido que isso não significa que tudo está belo, mas sim, que frequentemente o belo vai estar em tudo;

ser tudo, como tudo apenas se é.

Ultimamente tenho me sentido mais eu, mesmo sendo o eu que eu mesma ainda não conheço e que frequentemente, agora, passo a conhecer;

reconhecer, acolher e amar.

Nathalia Favareto

Tão perto e tão distante

Já estive tão perto, agora sinto-me tão distante;

já andei sobre as águas contigo, mas agora me sinto no fundo do oceano;

e lá bem no fundo, como se as águas espremesses meus ossos e órgãos eu grito alto: “não me deixe; nunca me deixe”.

Mesmo sabendo que foi eu quem o deixou, que se afastou.

Tão longe e tão perto;

eu apenas tenho que esticar as mãos;

tão alto, já não tão baixos os ruídos insistem em nessa distração.

O caminho que ando é de longa data conhecido, sim, reconheço cada centímetro;

assim como o cansaço de meus pés por rodar em círculos.

Uma nova saída busco enquanto em meio a esse deserto, eu me afundo mais e mais;

este lugar que devia ser apenas caminho de passagem, de encontrar a paz;

caminho e caminho com pés descalços e cansados, sem olhar pra trás;

quando para trás pareço apenas caminhar.

Não me deixe só;

não me deixe ir por esse caminho só;

nunca me deixe;

sei que estou sendo todo sentir e que nas distrações das sensações pareço existir;

que do cento, meu eixo está a um fio de sair;

quero que saiba: “estou dando o meu melhor. Estou cansada, mas tentando, essa sou eu tentando.”

De vez em quando ouço a Sua voz;

sinto seu toque e em Sua mão eu pego;

e então acordo e para essa roda, volto ao início a rodar;

roda e roda de novo como um pião sem sair do lugar.

Já estive tão perto;

qual a ação me deixou tão longe?

Apenas quero voltar para casa, por favor, venha me resgatar, pegue na minha mão;

pois eu Te conheço e sei que és o único que pode me tirar desse mar imenso no deserto sufocante da solidão.

Nathalia Favareto

Detalhes a observar

Tudo está nos detalhes!

Olhos que pousam por um instante em observação ou apenas em um olhar pulsante;

as mãos que gesticulam tocam ou se movem em consciência e não em impulso;

a boca que se move com palavras pensadas ao invés de explosivas.

Tudo está nos detalhes!

O caminhar longo e calmo ou curto e apressado;

o tempo que se leva para realizar uma tarefa;

o tempo que se dedica a quem se presa;

no estar por inteiro, em presença em totalidade, em nada e em tudo.

A forma como a comida é feita e ingerida;

a mesa posta, cuidada, dedicada.

Tudo está nos detalhes, não no julgamento de como deve ser, mas na observação de que detalhes mostram mais sobre quem se é.

O “bom dia” com um sorriso nos lábios;

a resposta que chega ao telefone, mesmo depois da demora;

o tom e palavras que consolam, inspiram, alegram.

Tudo está nos detalhes!

Detalhes de cuidado no silêncio;

de perceber só por olhar;

de mesmo sem palavras dizer, tudo passa a ser dito ao observar.

Detalhes nossos do outro, da vida, do respeito e do amor;

detalhes que podem gritar sem nem ao menos um som exalar;

e se nos detalhes mais atentos estar, menos incertezas, inseguranças de ansiedade ocorrerão,

pois na verdade dos detalhes, elas de mansinho se irão;

e os olhos com os belos detalhes aprenderão a enxergar o que está sendo dito em verdade do que há e de quem se é.

Nathalia Favareto

Nossa história

Há um aprendizado tão grande em cada texto que é lido, cada história, cada livro, mas que hoje parecem perdidos em meio a tantas correrias.

Os olhos apenas passam, o impacto não é sentido, o conhecimento fica perdido em meio ao imediatismo.

Atenção espalhada para todos os lados;

focados em quantidades ao invés de qualidade;

de fazer, mostrar e não ser;

estímulos escondidos apenas para olhos atentos;

quando tudo passa sem ser observado;

o questionamento inexistente faz com que a vida se perca e passe;

passe sem ser notada, percebida, questionada, vivida.

A vida é a única coisa que valha a pena se distrair com;

tão frágil e tão forte;

há tanto nas entrelinhas das histórias das vidas, das histórias vividas;

há tantos aprendizados no que é compartilhado basta apenas observar.

Histórias que parecem de outrem, se torna tão nossa ao aquele aconchego de semelhança expressar;

cada texto, cada história, cada linha, cada livro pode haver algo a ensinar;

mas são tantos ruídos, tantos barulhos e estímulos;

há tanto de tudo e pouco do muito;

é muito de nada e pouco do todo.

Quando os olhos finalmente param para observar, percebem que não são eles a essência a captar;

quando os ouvidos pararem para ouvir, será notado o quanto do ouvir nada se foi aproveitado;

os sentidos são para observar o sentir;

mas as emoções explodem por não serem notadas, acolhidas, lembradas;

e deixadas vão ficando;

o questionamento inexistente faz com que a vida se perca e passe;

passe sem ser notada, percebida, questionada, vivida.

Nathalia Favareto